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Título: Antologia Poetrix 5
Autor: Goulart Gomes (org.)
Estante: Poesia
Editora: Scortecci (São Paulo-SP)
Ano da edição: 2017
Dimensões: 21 cm x 14 cm x 1 cm
Encadernação: Brochura
Orelhas: Sim.  Na esquerda, apresentação da obra; na direita, lista com o nome dos 43 participantes.
Prefácio: Marilda Confortin, escritora natural de Chapecó-SC e residente no Sul do Brasil, há muitos anos integrante do MIP (Movimento Internacional Poetrix).
Idioma: Português
Páginas: 150
Peso: 240 g
ISBN: 978-85-366-5212-2
Estoque: sete exemplares.
Estado dos volumes: Novos, sem uso, em perfeito estado, sem dedicatória em nenhum deles. Lançados em 2017.
Cadastrados em: 11.12.2017
Observação: Abaixo e ao final desta matéria, link para a página do livro, no site Alfaya Livreiro, em que você poderá saber o custo da obra e do frete.  Lá será possível, também, adquirir o livro.

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Mais detalhes: Exemplares novos, sem uso, em perfeito estado. // Lindo e muito bem organizado (por Goulart Gomes) o volume "Antologia Poetrix 5". O poetrix, conforme já é do conhecimento público, constitui um gênero minimalista de poesia. Foi lançado em 1999 pelo baiano Goulart Gomes.  Suas regras formais são fáceis de entender: tercetos, com até trinta sílabas (no total dos três versos), com título.  Pode conter rimas ou não e admite o uso de recursos gráficos (negritos, parênteses, intercalações de sinais e outros).  Quanto ao conteúdo, possui regras flexíveis. A temática é completamente livre, mas é desejável que o texto contenha um elemento de surpresa ou de encanto, conforme sucede com o haicai, em cuja leveza o gênero se inspira.  Também se espera que o título não seja mero penduricalho, mas sim, que dialogue o mais intensamente possível com os versos, muitas vezes agindo como complemento do poema.  O bom poetrix é sobretudo uma poesia de registro de "insights".  Instantâneos, tanto do mundo exterior quanto do universo interior do poeta.  Dos gêneros poéticos existentes, o poetrix e o haicai são aqueles que melhor evidenciam o quanto a prática da poesia pode levar a um estado comparável ao da meditação.  Poesia que pode resultar da contemplação profunda, como nos ensina Cecília Meirelles, que tão inspiradamente percebeu que alguns dos melhores poetas não são propriamente catárticos e, muito menos, eufóricos.  Muitos dos melhores seguem o modo como a própria Cecília se autodefiniu: "Não sou alegre, nem sou triste: sou poeta."   Neste doloroso momento da História Brasileira, em que vemos de novo o país ser inteiramente subserviente a essa entidade fantasmática chamada "mercado" e, mais uma vez, posto de joelhos perante os interesses dos EUA, é mais do que oportuno, até como forma de resistência, valorizarmos o que seja culturalmente nosso.  E o poetrix é, antropofagicamente, nosso. // Da "Antologia Poetrix 5" participam 43 poetas de várias localidades, incluindo o fundador do gênero, Goulart Gomes. Também estou presente nessa edição, que foi lançada em várias capitais do Brasil.  Cada um dos integrantes entrou com doze tercetos.  Portanto, temos aqui nada menos do que 516 poetrix.  A quase totalidade dos participantes escreve há muitos anos, e vários são nomes bem conhecidos dentro do Movimento Internacional Poetrix, com inclusão em inúmeras antologias do gênero, além de possuírem obras individuais.  São eles, por ordem de entrada, que segue o alinhamento alfabético: Adriana Celi, Aila Magalhães, Andrea Abdala, Angela Bretas, Anthero Monteiro (Portugal), Antonio Carlos Menezes, Carlos Fiore, Carlos Vilarinho, Cecy Barbosa Campos, Clécia Santos, Cristina Amorim, Cyro Mascarenhas, Dirce Carneiro, Djalma Filho, Elizabeth Iacomini, Francismar Prestes Leal, Gersínio Neto, Gilvânia Machado, Giuseppe Caonetto, Goulart Gomes, Hernán Restrepo (colombiano residente no Canadá), Isi Caruso, Israel dos Santos, José de Castro, Jussara Midlej, Lílian Maial, Lorenzo Ferrari, Luciane Silva, Marcelo Marques, Marco Bastos, Martinho Branco (Portugal), Oswaldo Martins, Paula Valéria, Regina Lyra, Reneu Berni, Ricardo Alfaya, Ronaldo Jacobina, Rosa Morena, Rozane Martha, Sílvia Mota, Tasso Rossi, Ulisses Silva, Vera Trindade. (Resenha de Ricardo Alfaya)
 
 
QUINZE TEXTOS PARA DEGUSTAÇÃO
 
Sem dúvida, cada um dos 43 autores mereceria ter ao menos um de seus poetrix selecionados para degustação.  Mas se ponho aqui 43 poemas do livro, isso já não seria uma degustação, mas uma refeição completa.  Então, escolhi, um tanto aleatoriamente (não são necessariamente os "melhores" poemas da obra), 16 trabalhos representativos, de diferentes autores.  Vou exibi-los em ordem alfabética, conforme aparecem no volume:
 
Por que rio?

Com tanto mar,
que diferença fariam
as minhas lágrimas?

(Aila Magalhães)
 

Artesanato

Extremamente fácil
desfazer-se do espesso pó
sobre as flores de plástico.

(Andrea Abdala)
 

Teatral

Chopin ao piano,
cair da tarde,
abre-se o pano!

(Antonio Carlos Menezes)
 

Lisboa

Nas paredes - azulejos,
na solidão - um fado.
Um barco nas águas do Tejo.

(Cecy Barbosa Campos)
 
 
Outono brasileiro

Golpe na democracia
Sonho em luto
Luto por igualdade

(Cristina Amorim)
 

Só existe um banco bom

O velho banco da praça
sem bancar nenhum centavo
não tem dono - é de graça.

(Cyro Mascarenhas)
 

Mil e uma noites

Antes de puxar o meu tapete
- cara senhora, caro senhor -,
saibam que ele é voador.

(Francismar Prestes Leal)
 

Comme la rose du petit prince

Incrível como é relativo o perfeito
o que mais me encantava
era o seu maior defeito

(Gersínio Neto)
 
 
Brinquedo

Latas, gravetos, ossos.
O menino
arquiteta mundos.

(Gilvânia Machado)
 

Cerca elétrica

O homem planta postes.
Vã tentativa
de cercar o tempo.

(Giuseppe Caonetto)
 

Poeira

uns, pretos
outros, brancos
até virarmos cinzas

(Goulart Gomes)
 

Espelhos

No teu rosto cálido,
dois olhos lúcidos
me contemplam pálido

(José de Castro)
 
 
Manias

Lavar as mãos dez vezes
trancar a casa cinco vezes
beijar tua boca para sempre

(Lílian Maial)
 

Paisagens de viagem

Trago, cá dentro, imagens:
cenas, visuais bagagens e o
avesso de tanta roupagem.

(Paula Valéria)


Fugidias

Em tardes cinzentas como a saudade,
penso no valor das mãos:
acariciam lembranças fugazes.

(Regina Lyra)
 

Saltimbanco

Vive pulando
de montanha em montanha,
enganando abismos.

(Ricardo Alfaya)
 
 
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Ricardo Alfaya
Enviado por Ricardo Alfaya em 10/12/2017
Alterado em 11/12/2017
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